Mostrando postagens com marcador MITOLOGIA GREGA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MITOLOGIA GREGA. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de julho de 2012

Minotauro

Minotauro

O minotauro era o “bichinho” de estimação do rei Minos. Ele era muito feio e feroz. Um monstro com cabeça de touro e corpo de gigante. Por ordem do rei, o Minotauro vivia escondido dos habitantes de Creta em um labirinto. Só mesmo um grande herói, como Teseu, seria capaz de enfrentar o monstro.

No labirinto de Creta vivia o Minotauro, que vivia escondido dos homens por ordem do rei Minos. Uma vez a cada nove anos, chegava a Creta um navio de Atenas, com sete rapazes e sete moças, que eram devorados pelo Minotauro.

Os atenienses eram obrigados a mandar seus filhos pra o sacrifício, por causa de uma guerra antiga entre Atenas Creta.

Na terceira vez que isto estava para acontecer, Teseu, o grande herói de Atenas, declarou que dessa feita ele queria ser um dos sete rapazes. Teseu estava certo de que ia matar o Minotauro.

Chegando a Creta, Teseu e seus companheiros apresentaram-se ao rei Minos. A filha do rei, Ariadne, se apaixonou por Teseu à primeira vista. Ela lhe deu uma espada e um fio de linha.

A espada é óbvio! Era para matar o Minotauro. E o fio de linha? “Amarre uma ponta do fio na cintura e a outra na entrada do labirinto”, explicou Ariadne a Teseu. “Para sair do labirinto, basta caminhar de volta seguindo o fio”.

Teseu deu de cara com o Minotauro numa das voltas do labirinto. Sentiu muito medo, porque o Minotauro tinha o dobro do tamanho dele e era o bicho mais feio da Terra.

Mas nestas horas um herói não pensa nada: ataca seja o bicho feio que for. Com a espada de Ariadne, Teseu matou o Minotauro.

De um labirinto daqueles, era quase impossível sair, mas não para quem tem um fio de linha.

Teseu e Ariadne partiram juntos no navio de volta a Atenas e teriam sido felizes para sempre não fosse o deus Dioniso, que apareceu no meio do caminho e ameaçou Teseu com mil horrores se não lhe entregasse Ariadne.

Teseu tinha força e coragem bastante para enfrentar um Minotauro, mas um deus também já era demais!

ANDREIA CAETANO

Júpiter (Zeus)

Júpiter (Zeus)


Júpiter o filho de Cronos e Réia

Longas insônias viveu Cronos, de olhos pregados no escuro do mundo, à procura de resposta: como evitar que se cumprisse a terrível profecia da mãe Gaia? Como impedir que um dos seus próprios filhos lhe usurpasse o trono?

Depois de muitos planos e tramas, confusão e medo, a resposta fulgurou dentro da noite. Cronos, de um salto, ergueu-se e correu para junto de Réia, sua mulher. Mas não lhe dirigiu palavra alguma. Em silêncio, agarrou seu primeiro filho, que acabara de nascer, e devorou-o. Era o início da sangrenta rotina.

Outras crianças a pobre Réia de à luz, porém a nenhuma teve o prazer de acalentar. Estava cansada. Vivia infeliz. Precisava encontrar uma solução definitiva, para salvar o filho que agora abrigava no ventre. Procurou, pois, a sábia Gaia, e, ajudada por ela, traçou um plano.

Ao chegar o momento do parto, Réia, iludindo a inexorável vigilância do marido, ocultou-se numa distante caverna, nos densos bosques de Creta. Ali, Zeus veio ao mundo.

Enquanto Gaia, a Mãe- Terra, acolhia o menino em seus braços, a deusa retornou ao lar. Vibrava de alegria, mas também de medo: podia falhar a trama tão carregada de esperanças.

O amor pelo filho, entretanto, dominou os receios. Réia apanhou do chão uma pedra, envolveu-a em grossas faixas e entregou-a a Cronos, que, sem perceber o logro, rapidamente a ingeriu. Então a mão de Zeus suspirou aliviada.

Salvara o filho, mas selara a profecia: em dia próximo, o último filho de Cronos tomaria das armas para encerrar o sombrio reinado de sangue. E para sempre se instalar no trono do mundo.

Os dons de Júpiter, pai dos deuses: proteção, disciplina, justiça.


Com relação ao local do nascimento de Zeus (Júpiter) existem duas tradições distintas: a mais corrente refere-se à ilha de Creta: citando especificamente ora o monte Ida, ora o Aégeon, ora o Dicteu. A outra, sustentada pelo poeta Calímaco (IV século a.C.), situa o berço do deus na Arcádia. Ambas, porém, concordam em que a educação de Zeus se realizou em Creta, aos cuidados das Ninfas e dos Curetes, jovens sacerdotes de Réia (Cibele).

Ao crescer, Zeus aliou-se aos irmãos e aos monstros, destronou Cronos (Saturno), venceu os Titãs e os Gigantes. Com a tríplice vitória, firmou-se como senhor absoluto do mundo e encerrou o ciclo das divindades tenebrosas, das forças desordenadas, que, como Cronos – o Tempo – tudo corrompem e destroem. Para os filósofos, seu triunfo simboliza a própria vitória da Ordem e da Razão sobre os instintos e as emoções desenfreadas.

Nas lendas mais antigas, Zeus é descrito como o mais jovem dos crônidas – filhos de Cronos – ao qual, na partilha do mundo, coube o domínio do céu e da terra e a responsabilidade sobre o fenômeno atmosférico. Com a evolução do mito, passa a ser mencionado como primogênito de Cronos; seu poder torna-se absoluto, suas funções ampliam-se.

É ele que “abre aos homens o caminho da razão” e ensina-lhe que o verdadeiro conhecimento só é obtido a partir da dor. Mas não assiste impassível aos sofrimentos humanos; ao contrário, compadece-se e até se magoa por eles. Apenas não se deixa levar pelas emoções, pois é a imagem da justiça e da razão. Sabe que não pode intervir nas descobertas pessoais: cada qual tem de viver sozinho sua própria experiência. Limita-se a premiar os esforços honestos e punir as impiedades.

Por todos esses atributos, Homero (século IX a.C.) chama-o de “pai dos deuses e dos homens”. O termo pai, entretanto, refere-se não a uma relação puramente afetiva, sentimentalmente, e sim a uma relação de poder, de autoridade. Corresponde, na origem, ao pai da família, que provê ao sustento, assegura a proteção e exerce incontestável autoridade sobre seus dependentes.

Com a expansão social e econômico dos gregos, as famílias, que viviam isoladas, agruparam-se em aldeias (demos), depois em cidade, por fim em Estados. A autoridade de cada núcleo familiar continuava exercida pelo pai, mas a este se impunha a soberania do rei, estabelece a disciplina entre os súditos, protege-os, assegura-lhes a ordem, distribui a justiça, comanda e é obedecido.

Ambos os sentido de “pai” conjugam-se em Zeus. Como rei, ele comanda o Olimpo e os homens, e constitui um modelo para os chefes helenos – como afirma Aristóteles (384?-322 a.C.): “A união de um pai com seu filho tem a aparência da realeza. Por isso Homero chama Zeus de pai. É que a realeza quer ser um poder paternal”. E como chefe de família, o deus cada vez mais aumento sua prole, dilatando assim seu pátrio poder. Mais importante que ser fiel a Hera (Juno), sua esposa e irmã, é exercer a paternidade, seja com deusas, seja com mulheres mortais. Todas as regiões e as cidades mais importantes da Grécia vangloriavam-se de Ter como patrono ou fundador um filho de Zeus. Suas uniões são interpretadas de várias formas. A lenda de Dânae, que ele seduziu sob a forma de uma chuva de ouro, foi considerada, por alguns estudiosos, como o símbolo da fecundação da terra pelos raios solares; Eurípedes (480?-406 a.C.), todavia, encara o episódio como uma imagem da soberania da riqueza, que a tudo vence. O rapto de Europa, por outro lado, recebeu uma interpretação histórica uniforme: a donzela fenícia levada para Creta constituiu uma transposição mítica do fenômeno real das migrações que, partido da Ásia, se estabeleceram na ilha de Creta.

Além de pai e chefe, Zeus assumiu também outras funções e diversos epítetos: Zeus Ktésios propiciavam os devotos maiores riquezas; Zeus Herkeios protegia as casas e as cidades; Zeus Xênios velava pelos estrangeiros, pelos desterrados, pelos mendigos, pelos aflitos. Era este Zeus que desaprovava os implacáveis, os desapiedados, os poucos hospitaleiros. Nessa atribuição, Homero louva-o em A Odisséia: “De Zeus poderoso vêm os mendigos e os estrangeiros: embora pequenas, são gratas as dádivas. Ora, criadas, ao hóspede daí o alimento e bebida, e ide banhá-lo no rio, em lugar protegido dos ventos.”

Da Grécia a Roma, o culto do Deus

A imagem mais aceita de Zeus foi esculpida por Fídias (500?-432? a.C.), numa estátua de 13 metros de altura, encomendada para adornar-se o santuário em Olímpia. O deus aparece sentado em um trono de ébano, bronze, marfim e ouro. Tem a fronte adornada por cabelos espessos e ondulados, e cingida pela coroa de ramos de oliveira. O rosto, sereno e majestoso, é emoldurado pela densa barba crespa. Na mão direita, segura a vitória; na esquerda, um certo ensinamento pela águia. Veste um manto de ouro bordado de flores.

O Zeus de Fídias constituiu o tipo ideal no qual se inspiram artistas posteriores, que o retratam geralmente como homem maduro, robusto, majestoso e grave. Quase sempre envolto num grande manto, que deixa descobertos o braço direito e o peito; apenas nas representações primitivas figurava nu.

O deus por excelência, o altíssimo, era cultuado geralmente nos píncaros das montanhas. Ida em Creta, Parnes e Himeto na Ática, Helicão na Beócia, Pélion na Tessália, Pangeu na Trácia, Olimpo na Macedônia, Liceu na Arcádia eram montes que ostentavam templos erguidos em honra a Zeus. O mais antigo santuário, contudo, situava-se em Dorona, no Epiro, onde existia um célebre oráculo do deus.

Levados por viajantes, mercadores e colonos ou pela simples difusão de povoado a povoado, os deuses olímpicos atingiram Roma antes que esta iniciasse a conquista do mundo mediterrâneo. De modo geral ali se identificaram com divindades locais que correspondiam às suas atribuições primitivas. Assim, também Zeus – figura de deus-pai existente em todas as mitologias indo-européias – identificou-se em Roma com Júpiter, velha divindade do Lácio à qual se consagram os carvalhos do nome Capitólio. Este Júpiter Capitólio deve Ter-se originado de Júpiter Latial, divindade mais antiga, de origem obscura, cujo santuário se encontra nos montes Albanos.

Durante a República Romana, Júpiter era a divindade protetora dos cônsules, que a ele dirigiam preces quando assumiam o poder. Seu culto estava a cargo dos sacerdotes feciais, cuja autoridade suprema era o flamine dialis. O casamento deste com flamínica (sacerdotisa de Juno) simbolizava a união divina de Júpiter e Juno, e não podia ser dissolvido.

Com o advento do Império Romano, Júpiter transfigura-se e passa a encarnar cada vez mais o retrato do imperador. Perde então muito de sua divindade, para transformar-se, na obra de alguns poetas e ceramistas populares, em volúvel perseguidor de ninfas e mortais.

Júpiter luta dez anos pelo poder

Métis, a Prudência, preparou-lhe uma beberagem miraculosa: tão logo ela chegasse às entranhas de Saturno, provocaria ali tal convulsão que o pai voraz se veria obrigado a devolver os filhos engolidos. Pois dentro dele todos estavam vivos, crescidos e adultos.

Levando nas mãos o preciso frasco que a deusa lhe entregara, Júpiter acercou-se do pai e obrigou-o a ingerir a mágica bebida. E tudo aconteceu como dissera Métis. Estremecido por violentos e incontroláveis abalos, Saturno restituiu à luz todas as criaturas que em outros tempos havia devorado. Assim Júpiter conheceu seus irmãos: a loira Ceres, o impetuoso Netuno, a casta Vesta, o taciturno Plutão. Apenas Juno ali não estava, pois, como ele próprio também fora poupada.

A luta começava a configurar-se. Para garantir a vitória, Júpiter desceu aos Infernos e libertou os Ciclopes, forjadores de armas, e os Hecatônquiros de cem braços, monstros que, em sua loucura de poder, Saturno encerrara nas mais escuras profundezas da terra. Depois voltou para a companhia dos irmãos, a fim de tramar planos de batalha, enquanto os Ciclopes se apressavam em fabricar poderosas armas para cada um dos três deuses: o capacete mágico para Plutão, o tridente para Netuno, e o raio para Júpiter.

Longa e árdua foi a guerra. Dez anos decorreram entre os primeiros combates e o glorioso triunfo. Saturno e os Titãs, seus aliados, vencidos pelos deuses irmãos, foram confinados aos Infernos, sob a vigilância dos monstros. Em conferência, os vencedores reuniram-se e dividiram entre si o domínio do mundo. Netuno ganhou a soberania dos mares. Plutão assumiu o reino dos mortos. E Júpiter subiu ao Olimpo para de lá comandar, altíssimo e absoluto, a terra e o céu, os homens e todos os demais deuses.

Mas a Terra estava descontente com o desfecho da luta. Não desejava ela ver prisioneiros seus filhos, os Titãs. Em vão pediu a Júpiter que os libertasse. Recusados todos os seus argumentos, nada lhe restava senão recorrer aos Gigantes. Incitou-os, então, contra o senhor do mundo. Só contribuiu, entretanto, para propiciar ao altíssimo nova vitória.

As desastrosas experiências dos vencidos deveriam ser suficientes para deter as pretensões de novos desafiantes. Mas nem o monstro Tifão – com seus absurdos sonhos de poder – nem os irmãos Aloídas – ardentemente enamorados das deusas Juno e Diana – se deixaram atemorizar pelas lições das derrotas. Cada qual, por seu turno, investiu contra o Olimpo. E cada um, por sua vez, foi arrasado pelo deus.
Reinava a paz no céu e na terra. Júpiter, com suas vitórias sobre as forças da desordem, firmara-se para toda a eternidade como rei supremo, diante do qual todas as vozes humanas e divinas se calavam, com respeito e obediência.

Antíopa - amor e sofrimento

Tarde de verão, em Tebas. O sol cresta as peles banhadas de suor. O trabalho arrasta-se pelos campos em morna lentidão. As plantas nos quintais recusavam-se para o solo ardente, cansada de tanta luz. Pelos atalhos dos bosques, animais e homens procuram o frescor das frondes e o leito ameno da relva. A poucos passos, uma cascata umedece o ar, e pequenas gotas de água, levadas pela aragem, respingam sobre os corpos como bálsamo.

Para as sombras do bosque também se dirigiu a donzela Antíopa, solitária e inocente. Num canto afastado, recolheu-se em seu cansaço. Estendeu-se entre as flores silvestres, e serenamente adormeceu. Os raios do sol, entre as ramagens, formavam desenhos caprichos em seu corpo magnífico.

Júpiter ronda entre as árvores, disfarçado em sátiro. O coração divino suspira, por novas aventuras. Os ouvidos torturados pelos queixumes de Juno anseiam por vozes mansas.

E o deus surpreende Antíopa, adormecida. Estremece de contentamento, ao contemplar as formas perfeitas, os traços delicados, a pele aveludada como o damasco.

Cuidando de não despertá-la, o sátiro ardente acerca-se da jovem e prende-a de súbito em seus braços.
Era tarde demais quando Antíopa despertou, assustada e triste. Só lhe restava ir chorar em terras longínquas a violência sofrida. Pois, ao saber do incidente, Nicteu, seu pai, não lhe pouparia pesado castigo.

Deixando para trás os muros de Tebas, onde vivera feliz desde a infância, a jovem embrenhou-se por escuros atalhos através dos bosques. Preferia morrer nas garras das feras a ser vista por algum pastor ou camponês que certamente levaria a Nicteu a direção de sua fuga.

Depois de muito caminhar entre os perigos, Antíopa foi Ter ao reino de Sícion. Epopeu, o soberano, deslumbrou-se com sua beleza. Hospedou-a em seu palácio e suplicou-lhe que se tornasse sua rainha amada. Afinal brilhavam na vida de Antíopa uma promessa de felicidade. E, em meio a majestosa festa, ela esposou o rei de Sícion.

O tempo de alegria seria breve. Desesperado com a partida da filha, Nicteu, antes de suicidar-se, arrancara de seu irmão Lico o juramento de trazê-la de volta e castigá-la.

À frente de pequena tropa, Lico saiu a investigar sobre o destino da sobrinha, e acabou transpondo as muralhas de Sícion. O ataque transpondo concedeu-lhe fácil vitória, e Antíopa, subitamente viúva, retornou prisioneira para Tebas.

No áspero caminho de volta, a jovem detém a comitiva. Atormentada por fortes dores recosta-se na terra dura e, suplicando a ajuda divina, ali mesmo dá à luz os filhos de Júpiter: Anfião e Zeto. Mas não pode levá-lo consigo. O tio implacável obriga-a a abandonar as crianças, que mais tarde pastores recolheriam.
Passaram-se anos de cativeiro e sofrimento. Presa a fortes correntes, Antíopa vivia apenas de recordações felizes e absurdas esperanças.

Um dos pastores, entretanto, soube da triste vida de Antíopa, e tudo contou aos jovens. Anfião e Zeto rumaram então para Tebas, dispostos a vingar os sofrimentos da mãe.

O primeiro a sucumbir sob as espadas foi o tirano Lico. Depois Dirce, sua mulher, foi atacada à cauda de um touro furioso que os moços soltaram por um caminho de pedras.

Irritado com o suplício infligido a Dirce, sua fiel devota, o deus Baco resolveu intervir. E para punir os jovens castigou-lhes a mãe. Enlouqueceu Antíopa, que saiu a errar pelas terras gregas, sem destino e sem lembranças.

Até que um dia a piedade dos deuses colocou em seu caminho o bondoso Foco, que a curou de sua loucura e a esposou, proporcionando-lhe, afinal, a sonhada felicidade.

Astéria: da ninfa nasce uma ilha

Pela famosa ninfa Astéria suspiravam pastores e camponeses do vale. À porta de sua morada, anonimamente deixavam como oferendas singelos ramos de flores e fartas cestas de frutos. Até os ariscos animais do bosque vinham comer à sua mão, tão grande era o seu encanto.

Beleza alguma sobre a terra podia ocultar-se aos ávidos olhos de Zeus. Por entre as árvores e sob as águas, pelos atalhos e nos templos, andava o deus incansável em busca de formosura. E nessa procura acabou encontrando um dia a doce Astéria.

Como se fosse mortal comum, expressou-lhe seu deslumbramento, e pediu-lhe que retribuísse a seus ardentes desejos. Mas a bela ninfa, sem resposta alguma, pôs-se a fugir pelo vale e pelos bosques.
As folhas das árvores agitaram-se aflitas. Os bichos correram sobre o rastros de Astéria, como para confundir seu perseguidor. Camponeses e pastores suspenderam os trabalhos, para seguir com olhos inquietos e solidários a fuga daquela que os deslumbrava.

Não queria aventuras a casta ninfa. Preferia o silêncio dos oferendas anônimas, o mudo carinho dos animais. Entretanto, as ágeis pernas de Astéria não venciam mais rápido as distâncias que os fortes passos do deus. Era iminente o encontro.

À beira da praia, sem encontrar caminho aberto, a ninfa parou. Ofegante, mas sem medo, resolveu usar seu recurso estremo: pelo poder que recebera dos deuses assumiu forma de pássaro. Tornou-se uma pequenina codorniz.

Não tencionava voar. Ao contrário, olhou mais uma vez para o deus que se avizinhava, e lançou-se ao mar.
E sobre as águas azuis foi perdendo olhos e penas e corpo de ave, para transformar-se ao longe em uma mancha escura, ilha estéril, sem flores e sem frutos. Chamou-se então Ortígia – a ilha dos codornas, seus únicos habitantes. Mais tarde, no entanto, receberia em sua terra seca o deus Apolo e sua irmã Ártemis, e trocaria o nome para Delos. Com isso, se cumularia de riquezas e de glórias.

Egina levada por uma labareda

Um novo amor. Fulminante como o próprio raio de Júpiter. Impetuoso como suas tempestades. Pouco importavam os reclamos da ciumenta Juno, esposa irascível. De nada valiam os frágeis obstáculos erguidos por pais e maridos zelosos. A vontade de um deus não conhece bloqueios em seu caminho.

Esse caminho levava a Egina, jovem filha do rio Asopo. Júpiter queria-a para si. Mas, tal como em outras conquistas amorosas, não tencionava obtê-la por meio da força. Preferia cativá-la com o calor de seu afeto.
À s doces palavras do deus, porém, a ninfa retribuiu com exclamações de medo e aflitos pedidos de socorro. Não havia outro jeito senão adotar um artifício de disfarce e arrebatar a teimosa donzela.

Metamorfoses, Júpiter assumira várias: fora touro e camponês, sátiro e cisne, águia e forasteiro. Precisava inventar uma nova forma. Olhos postos nos leves passos de Egina, durante dias infindáveis pensou na transformação. Finalmente decidido, num fragmento de instante, mudou-se em labareda.

E assim, sob a aparência de chama, desceu para as margens do Asopo e raptou a ninfa. Levou-a em seguida para ilha de Enone, que velhos poetas costumavam também chamar de Enópia. Nas areias desertas, acalentado pelo murmúrio do mar, amou-a impetuosamente.

Se a ninfa, presa no ardor da labareda divina, conseguiu esboçar algum protesto, deve tê-la ouvido o pai Asopo, que, tomado de desespero, mudou o curso de suas águas, atravessou o mar azul e foi até à ilha distante recuperar a filha.

Estava a ponto de alcançá-la, quando Júpiter, irritado com a intromissão, fulminou o velho e obrigou-o a voltar para seu leito de cascalho.

Embora vencido, Asopo, solitário, tramava planos de vingança. Não contra o deus, pois para tanto lhe faltava forças, mas contra a filha, pretendendo ferir indiretamente o senhor do Olimpo.

Júpiter soube das tramas e, para salvar a ninfa de qualquer dano, transformou-a numa ilha, que batizou com o nome de Egina.

ANDREIA CAETANO PIUMHI/MG

A ESFINGE

Pirâmide e a Esfinge

Houve na mitologia antiga muitas e diferentes representações da esfinge. O mito de Édipo, no entanto, sobretudo depois de imortalizado pela tragédia Édipo rei, de Sófocles, privilegiou de tal forma uma delas que as demais caíram no esquecimento.

Criatura monstruosa com corpo de leão, cabeça humana e asas, na representação mais comum, a esfinge, monstro devorador, foi um importante tema mitológico nas antigas civilizações egípcia e mesopotâmica. Na Grécia, literatura e arte se inspiraram freqüentemente no mito de Édipo e da esfinge. Esta, segundo a lenda, aterrorizava os habitantes da cidade de Tebas e matava os que não conseguiam resolver o enigma por ela proposto: "Que animal caminha com quatro pés pela manhã, dois ao meio-dia e três à tarde e, contrariando a lei geral, é mais fraco quando tem mais pernas?" Édipo conseguiu decifrar o enigma, dizendo que era o homem; ele engatinha quando bebê, anda com duas pernas ao longo da vida e precisa de um bastão na velhice. Ao ouvir a resposta, a esfinge, derrotada, jogou-se num abismo.

Uma das mais antigas representações da figura mitológica é a colossal esfinge de Gizé, no Egito, que data do reinado de Quéfren, faraó da IV dinastia. A esfinge egípcia tem corpo de leão, com as patas dianteiras estendidas, e cabeça humana, coberta com uma manta funerária (nemes). Supõe-se que representa o deus Hórus, guardião de templos e túmulos. Os egípcios esculpiram muitas estátuas da esfinge, cujo rosto lembrava sempre o faraó da época. Algumas esfinges, no entanto, ostentavam cabeças de carneiros e falcões. As imagens ficavam diante dos templos, em ambos os lados da avenida de acesso (dromos), com função protetora, como no grande templo de Karnak.

Esfinges foram construídas na Síria, por influência do mundo egípcio, no segundo milênio antes da era cristã. Lá, passou a ter asas, simbolizando a vida espiritual, e adquiriu natureza feminina. Por volta de 1600 a.C., a esfinge feminina alada foi adotada pela civilização grega. Encontram-se os primeiros exemplos de sua utilização em objetos cretenses do final do período minóico e nas sepulturas de Micenas do fim do período heládico.

A partir de 1200 a.C., as esfinges desapareceram da cultura grega por cerca de 400 anos, mas se mantiveram na Ásia, com aspecto semelhante ao que tinham na idade do bronze. No final do século VIII a.C. a esfinge reapareceu na arte arcaica grega, na qual persistiu até o final do século VI a.C. A nova esfinge grega era quase sempre feminina, com grandes tranças. Seu corpo se estilizou e as asas adotaram a forma curvada, como se pode ver na famosa esfinge de Delos. As esfinges se converteram em motivo freqüente para decoração de vasos e peças de marfim e, no final do período arcaico, apareceram como ornamento de templos, sempre com função protetora.

No século V a.C., o mito de Édipo e a esfinge, representada no alto de uma coluna, foi tema comum na decoração. Outras obras do período clássico mostram Édipo em combate com a esfinge, expressando assim fisicamente a disputa intelectual entre as duas figuras míticas. Nada relatam as lendas, porém, sobre esse episódio, o que leva a crer que a arte grega tenha tomado o tema da luta do homem contra um ser monstruoso de alguma civilização oriental. A esfinge apareceu mais tarde na arte etrusca como motivo ornamental e voltou a surgir na arte do Renascimento. Desde então, fez parte dos temas iconográficos de estilos posteriores, sempre com remanescentes orientais e função protetora.


ANDREIA CAETANO PIUMHI/MG

Deuses Gregos

Deuses Gregos

Anteros
Símbolo do amor desgraçado, da resistência ao amor, da vingança ao amor não correspondido ou ao desamor.

Apolo
Na lenda de Homero ele era considerado, principalmente, como o deus da profecia. Apolo era músico e encantava os deuses com seu desempenho com a lira. Era também um arqueiro-mestre e excelente corredor, sendo creditada a ele a primeira vitória nos Jogos Olímpicos. Era também o deus da agricultura, do gado, da luz e da verdade. Ensinou aos humanos a arte da cura. Talvez por causa de sua beleza, Apolo era representado com mais freqüência na arte antiga que qualquer outra divindade

Ares
Deus da guerra, sanguinário e agressivo, personificava a natureza brutal da guerra. Embora Ares fosse guerreiro e feroz, não era invencível, mesmo contra os mortais.

Aristeu
Era adorado como o protetor dos caçadores, pastores e rebanhos, e como o inventor da apicultura e da arte de cultivar azeitonas. Era largamente venerado como um deus beneficente e freqüentemente era representado como um pastor juvenil carregando um cordeiro.

Asclépio
Deus greco-romano da medicina, com o poder de curar os enfermos. Era também patrono dos médicos e era representado como um homem barbudo, de olhar sereno, com o ombro direito descoberto e o braço esquerdo apoiado em um bastão, o caduceu, em volta do qual se enroscam duas serpentes, e que se transformou no símbolo da medicina.

Dionísio
Deus do vinho e da vegetação, que mostrou aos mortais como cultivar as videiras e fazer vinho.

Eros
Eros é descrito como o mais belo dos imortais, capaz de subjugar corações e triunfar sobre o bom senso. Deus do amor e do desejo.

Hades
Deus dos mortos. Em algum lugar na escuridão do mundo subterrâneo estava localizado o palácio de Hades. Era representado como um lugar fúnebre, escuro e repleto de portões, repleto de convidados do deus e colocado no meio de campos sombrios, uma paisagem assombrosa. Em lendas posteriores o mundo inferior é descrito como o lugar onde os bons são recompensados e os maus são punidos.

Hefesto
Deus do fogo, tornou-se o ferreiro divino e instalou suas forjas no centro dos vulcões. Patrono dos ferreiros e dos artesãos em geral, é responsável, segundo a lenda, pela difusão da arte de usar o fogo e da metalurgia.

Hélio
Era a representação divina do Sol. Na Grécia clássica, Hélio foi cultuado em Corinto e sobretudo em Rodes, ilha que lhe pertencia e onde era considerado o deus principal, honrado anualmente com uma grande festa.

Hermes
Mensageiro dos deuses, tinha sandálias com asas, um chapéu alado e um caduceu dourado, ou vara mágica, entrelaçado por cobras e coroado com asas. Hermes era também o deus do comércio e o protetor dos comerciantes e dos rebanhos. Como a divindade dos atletas, ele protegia os ginásios e estádios e atribuía-se a ele a responsabilidade pela fortuna e a riqueza.

Himeneu
Deus do casamento. Personificação dos cantos nupciais.

Hipnos
Deus do sono.

Morfeu
Deus dos sonhos. Morfeu formava os sonhos que vinham para aqueles que adormeciam. Ele também representava seres humanos em sonhos.

Nereu
Deus do mar.

Orfeu
Poeta e músico. Recebeu a lira de Apolo e tornou-se um músico tão perfeito que não havia nenhum mortal capaz de ser melhor do que ele. Quando tocava e cantava, movia todos os seres animados e inanimados. Sua música encantava árvores e pedras, domesticava animais selvagens, e até mesmo os rios mudavam o seu curso na direção da música do jovem.

Pan
Pan ou Pã, cujo nome em grego significa "tudo", assumiu de certa forma o caráter de símbolo do mundo pagão e nele era adorada toda a natureza. Na mitologia grega, Pã era o deus dos caçadores, dos pastores e dos rebanhos. Representado por uma figura humana com orelhas, chifres, cauda e pernas de bode, trazia sempre uma flauta, a "flauta de Pã", que ele mesmo fizera.

Poseidon
Deus do mar. Na arte, Poseidon é representado como uma figura majestosa e barbada segurando um tridente, e freqüentemente acompanhado por um golfinho.

Príapo
Deus da fertilidade, protetor dos jardins e dos rebanhos.

Urano
Personificação do céu, é o deus do firmamento. clássica não havia culto a Urano.

Zeus
O deus supremo do mundo, o deus por excelência. Presidia aos fenômenos atmosféricos, recolhia e dispersava as nuvens, comandava as tempestades, criava os relâmpagos e o trovão e lançava a chuva com sua poderosa mão direita, à sua vontade, o raio destruidor; por outro lado mandava chuva benéfica para fecundar a terra e amadurecer os frutos. Chamado de o pai dos deuses, por que tinha autoridade sobre todos os deuses, dos quais era o chefe reconhecido por todos. Tinha o supremo governo do mundo e zelava pela ordem e da harmonia que reinava nas coisas.


Deusas Gregas

Afrodite
Deusa do amor e da beleza
.

Anfitrite
Deusa do mar.

Ártemis
Tida como virgem e defensora da pureza, era também protetora das parturientes e estava ligada a ritos de fecundidade; embora fosse em essência uma deusa caçadora, encarnava as forças da natureza e tutelava as ninfas, os animais selvagens e o mundo vegetal.

Atena
Era o símbolo da inteligência, da guerra justa, da casta mocidade e das artes domésticas e uma das divindades mais veneradas.

Deméter
Deusa da colheita
.

Destinos
As três deusas que determinavam a vida humana e suas ligações, também conhecidas como "Moiras". As Moiras repartiam para cada pessoa, no momento de seu nascimento, uma parcela do bem e do mau, embora uma pessoa pudesse acrescer o mau em sua vida por si própria.

Retratadas na arte e na poesia tanto como mulheres velhas e severas quanto virgens sombrias, as deusas eram freqüentemente vistas como fiadeiras.

Cloto, a fiadeira principal, tecia o fio da vida;

Láquesis, a distribuidora de quinhões, decidia a quantidade e designava o destino de cada pessoa; e

Átropos, a implacável, carregava o poder de cortar o fio da vida no tempo designado. As decisões das Moiras não podiam ser alteradas, nem mesmo pelos deuses.

Eumênides
Antigos espíritos da terra ou deusas associados à fertilidade, mas também tendo certas funções sociais e morais. Protetoras dos suplicantes.

Erínias
Também conhecidas como Fúrias, eram as três divindades que administravam a vingança divina, sendo elas:

  • Tisífona (a vingança contra os assassinos);
  • Megera (o ciúme) e
  • Alecto (a raiva contínua).

Eram justas, mas sem piedade e jamais analisavam as circunstâncias que levaram a pessoa a cometer o erro.

Géia
O nome Géia, Gaia ou Gê, é utilizado como prefixo para designar as diversas ciências relacionadas com o estudo do planeta.

A deusa foi também a propiciadora dos sonhos e a protetora da fecundidade. Gaia é a personificação da Terra.

Graças
Graças (ou Cárites), as três deusas da alegria, charme e beleza. Chamavam-se:

  • Aglaia (o Esplendor);
  • Eufrosina (a Alegria) e
  • Tália (a Floração).

As Graças presidiam sobre os banquetes, danças e todos os outros eventos sociais agradáveis, trazendo alegria e boa vontade tanto para os deuses quanto para os mortais.

Hebe
Deusa da juventude. Durante muito tempo Hebe foi a copeira dos deuses.

Hécate
Deusa da escuridão, representava seus terrores. Em noites sem luar, acreditava-se que ela vagava pela terra com uma matilha de uivantes lobos fantasmas.

Era a deusa da feitiçaria e era especialmente adorada por mágicos e feiticeiras, que sacrificavam cães e cordeiros negros a ela.

Como deusa da encruzilhada, acreditava-se que Hécate e seu bando de cães assombravam lugares fúnebres que pareciam sinistros aos viajantes.

Hera
Rainha dos deuses, protegia o casamento e era a protetora de mulheres casadas.

Íris
Como mensageira de Zeus e de sua esposa Hera, Íris deixava o Olimpo apenas para transmitir os ordenamentos divinos à raça humana, por quem ela era considerada como uma conselheira e guia.

Viajava com a velocidade do vento, podia ir de um canto do mundo ao outro, ao fundo do mar ou às profundezas do mundo subterrâneo.

Era representada como uma linda virgem com asas e mantos de cores brilhantes e um aro de luz em sua cabeça, deixando no céu o arco-íris como seu rastro. Para os gregos, a ligação entre os homens e os deuses é simbolizada pelo arco-íris.

Musas
Nove deusas e filhas de Zeus e de Mnemósina, a deusa da memória. As Musas presidiam as artes e as ciências e acreditava-se que inspiravam todos os artistas, especialmente poetas, filósofos e músicos.

Calíope era a musa da poesia épica, Clio da história, Euterpe da poesia lírica, Melpômene da tragédia, Terpsícore das canções de coral e da dança, Erato da poesia romântica, Polímnia da poesia sagrada, Urânia da astronomia e Tália da comédia.

Nêmesis
Entre os antigos gregos, Nêmesis foi a deusa da equanimidade e, mais tarde, a personificação da desaprovação dos deuses à arrogância. Seu nome se inspira no grego némein, "repartir segundo o costume ou a conveniência".

A missão de Nêmesis era punir os faltosos e impor a execução de normas que restabelecessem o equilíbrio entre os homens.

Nikê
Deusa da vitória. É representada carregando uma grinalda ou palma da vitória.

Perséfone
Deusa da terra e da agricultura. Era uma personificação do renascimento da natureza na primavera.

Selene
Deusa da Lua. Era uma linda deusa, de braços brancos, com longas asas, que percorria o céu sobre um carro para levar aos homens a sua plácida luz.


Titãs

Quem eram os Titãs?

Freqüentemente, chamados de deuses mais velhos, eles foram por muitas eras os regentes supremos do universo, tendo um tamanho enorme e sendo incrivelmente fortes.

Atlas
Filho do Titã Japeto e da ninfa Climene, e irmão de Prometeu. Atlas lutou com os Titãs na guerra contra as divindades do Monte Olimpo. Como castigo, ele foi condenado a suportar eternamente a terra e os céus em suas costas e o grande pilar que os separa sobre os ombros. Justamente porque a figura de Atlas sustenta a terra, freqüentemente ela é utilizada nas páginas de coleções de mapas (atlas), cujo nome denota um conjunto de mapas.

Ceos
O Titã da Inteligência.

Crio
Representava o tremendo poder do mar.

Cronos
Cronos era um deus ao qual se atribuíam funções relacionadas com a agricultura. Segundo a tradição clássica, depois Cronos tornou-se o regente do universo e simbolizava o tempo.

Japeto
Considerado como antepassado da raça grega e também de todos os homens.

Métis
Presidia a sabedoria e o conhecimento.

Mnemósina
Deusa da memória.

Oceano
Governou o Oceano, um grande rio que, segundo a Mitologia Grega, cercava a Terra e que se acredita ser um círculo plano.

Prometeu
Conhecido como amigo e benfeitor da humanidade. Prometeu e seu irmão foi concebido para criar a humanidade e prover o homem e todos os animais da terra com aquilo que necessitassem para sobreviver.

Réia
Mãe dos deuses e que por muitas eras dominou o Universo junto com Cronos.

Têmis
Deusa da justiça divina e das leis. Na arte antiga ela é representada segurando para cima um par de balanças em que ela pesa as reivindicações das partes contrárias.